A partir de hoje, toda terça-feira, passo a escrever sobre marketing político e eleitoral.
Neste primeiro texto, baseado na apresentação da minha ultima palestra ( turma do curso de Publicidade do IFAM – 2011 ), mostrarei os conceitos e diferença entre marketing, marketing político e marketing eleitoral, que normalmente confunde muito político.
Vale ressaltar que a nomenclatura “marketeiro político” tem sido deixada de lado uma vez que nem todo profissional atuante no ramo pertence a área de da publicidade/marketing. Lá na frente, comentarei sobre isso.
Vamos ao que interessa.
Conceito de marketing
É a ciência que se fundamenta na identificação e interpretação de anseios do mercado para, posteriormente, poder atendê-los, satisfazendo as necessidades identificadas
Conceito de marketing político
É o conjunto de técnicas e procedimentos que tem como objetivos adequar um candidato ao seu eleitorado potencial, procurando fazê-lo, num primeiro momento, conhecido do maior número de eleitores possível e, em seguida, mostrando-o diferente de seus adversários, obviamente melhor posicionado
Há uma grande confusão ao se diferenciar o marketing político e o marketing eleitoral. Normalmente, políticos e seus assessores cometem o equívoco de achar que marketing eleitoral é a mesma coisa que marketing político.
A ordem correta é: Marketing Eleitoral –> Marketing Político –> Marketing Eleitoral
O candidato usa o marketing eleitoral para se eleger. Durante o mandato deve utilizar o marketing político para criar um diferencial em relação aos outros candidatos. Esse diferencial será utilizado na próxima eleição pelo seu marketing eleitoral.
Explico.
O marketing eleitoral está relacionado com a formação da imagem em curto prazo. Estratégia e tática são montadas de tal forma que no momento da eleição o candidato possua o maior número de votos possível, e cumpra seus objetivos. O fator crucial é o tempo.
Já o marketing político está relacionado com a formação da imagem em longo prazo. É utilizado não apenas por políticos, mas também por qualquer pessoa que deseje projetar-se publicamente.
Entenderam?
O marketing eleitoral é periódico enquanto o marketing político deve ser constante, dia a dia.
Aí reside o grande equívoco, pois alguns políticos usam o marketing eleitoral, vencem e depois esquecem de manter o marketing político. Isso explica porque alguns políticos não conseguem se manter. Não basta chegar ao topo. É preciso se manter no topo.
O mercado pra quem deseja atuar na área é imenso. Duvida?
Em 2008, em Manaus, tivemos 6 candidatos a prefeito e 773 candidatos a vereador. Em 2010, tivemos 6 candidatos a governador, 10 candidatos a senador, 71 candidatos a deputado federal e 418 candidatos a deputado estadual.
Tem ou não tem mercado?
O problema é que a grande maioria dos candidatos não possui recursos de campanha para contratar um marketeiro. Além disso, os profissionais procuram se inserir em campanhas majoritárias ( presidente, prefeito, governador ) e esquecem de apostar, voluntariamente, em bons quadros políticos que podem dar frutos futuramente.
Essa foi uma breve definição para que possamos entender melhor os próximos textos. Na próxima terça-feira tem mais. Pra finalizar, deixo algumas frases ditas por grandes nomes do marketing/consultoria política.
“Todo mundo tem seu lado bom e seu lado sombra. Ao marketeiro, cabe ressaltar o lado bom e tentar neutralizar ao máximo o lado sombra.”
“Os marketeiros, como se denominam, gostam muito de se vender, vender sua arte, se é que se possa chamar isso de arte. Costumam apresentar suas idéias de forma mirabolante, imaginando operações fantásticas e na verdade acaba não acontecendo. As coisas são mais casuais do que a gente pode imaginar”
“Existem eleições que versam sobre temas. Existem eleições que versam sobre pessoas. A primeira batalha de uma eleição é pela agenda. Qual é o tema da eleição? Isso é uma batalha subterrânea entre as campanhas e não é clara nem pra imprensa e nem para o eleitor o que está em jogo ali.”
“A comunicação política ela tem um papel para o bem ou para o mal, sempre teve, sempre que houve política ao lado do Maquiavel, do Napoleão, ao lado do Stalin. Sempre houve ao lado deles alguém que pensou essas coisas.”
“Do Getulio Vargas ao Lula o marketing político é apenas uma adequação da linguagem ao meio”
Até a próxima.
Amigo é o seguinte. A velocidade com que a sociedade está mudando, principalmente a partir de uma nova comunicação, tá fazendo essa dicotomia MktPolítico/MktEleitoral desaparecer. Só resta (afirmo isso) a figura do Mkt Político.
A partir de Obama’08 ficou evidente a diferença que faz um bom Planejamento Estratégico a médio e longo prazos em campanhas vencedoras. Soluções milagrosas de época de Eleição, habitat natural do saudoso Mkt Eleitoral, caem no descrédito eleição após eleição. Não existe mais “campanha de três meses”, isto é fato.
Até mesmo nos rincões longínquos do fim do mundo, leia-se Amazonas, campanhas monotemáticas, centradas apenas na figura do candidato, ou as já manjadinhas ‘campanhas de três meses’ (kit pronto, cabos eleitorais, panfletagem de beira de esquina, meia dúzia de vt’s e spots, e oba-oba) são temerárias. Assim, digo que falar em Mkt Eleitoral é coisa apenas didática de livros da década de 80.
A dinâmica do processo não só fez sucumbir o Mkt Eleitoral, como principalmente está fazendo surgir um novo prisma no campo político-eleitoral: o do Branding Político.
O próprio Mkt Político já não se sustentará sozinho por muito tempo. Há uma confluência de saberes necessários à boa prática do jogo político que ele (o Mkt Político), enquanto saber constituído, precisa começar a sintetizar (Sociologia, Comunicação Periférica, Tenologia da Informação, Antropologia de Consumo, etc). Citaria como exemplo a des-Campanha Presidêncial de JoséSerra2012. Houve de fato MktPolítico mas, totalmente deslocado de outros saberes sócio-históricos.
Sobre Branding Político cito o case dos deputados estaduais Chico Preto e Marcelo Ramos. Ambos, mesmo sem saber e meio que ainda descordenadamente, fazem algo nesta direção. Com equipes multidisciplinares e algumas práticas combinadas estão anos-luz à frente de outros, e com suas reeleições 2014 bem encaminhadas – caso não colham frutos já em 2012 – hipótese que vejo muito provável.
Um grande abraço, gostei da iniciativa e do teu texto, leve, limpo e claro.
D.
(reproduzi estes escritos em meu blog)
[...] * texto em resposta ao amigo Marcio Siqueira em seu blog http://marciosiqueira.com/2011/12/13/marketing-politico-conceitos-e-diferenca-entre-marketing-eleito… [...]